Domestique as feras antes de retirar as jaulas

O mundo está em transformação constante. Não há dúvida de que tudo está mais acelerado e que estamos na busca de alternativas que contribuam para a nossa rápida adaptação e sobrevivência.

Há uma necessidade emergente de alinharmos a cultura organizacional, com foco no estabelecimento de um clima real de colaboração e compartilhamento.

É neste ponto que muitos executivos estão perdendo seu sono. Agora, donos de empresas aumentam sua ansiedade e preocupação e gerentes enfrentam novos cenários, que não faziam parte de suas rotinas.

Se tudo anda mais rápido e se não conseguimos acompanhar esta velocidade sozinhos, precisamos uns dos outros mais do que nunca. É na complementaridade que encontraremos os melhores caminhos para lidar com o que está e vem por aí.

Mas não podemos esquecer que na história das organizações desenvolvemos estruturas internas organizacionais caracterizadas por silos e feudos, controlados por seus senhorios e lordes, que não permitem que outros interfiram, mesmo que seja com a melhor das boas intenções.

O resultado disso são brigas internas e intermináveis, onde departamentos se enfrentam não pensando no todo, mas em defender seus próprios territórios. É um paradoxo. No fundo, as pessoas já se deram conta que precisam colaborar, que sozinhas não irão sobreviver.

Uma das primeiras ações que vejo no sentido de desenvolver uma cultura de colaboração é a alteração do espaço físico, a criação de ambientes abertos e sem paredes, onde o contato visual e direto passa a ser constante.

Agora, pense comigo: o que acontece quando você retira a jaula que separa leões de ursos? Eles vão se reunir para aproveitar um ecossistema maior e potencializar os resultados? Não é preciso ser nenhum conhecedor do reino animal para saber que teremos uma guerra sangrenta e que com certeza acabará com baixas. Para ambos os lados.

Mas é o que temos feito nas organizações, simplesmente tiramos as paredes e dizemos que agora a meta é a colaboração. Dizemos para ursos e leões, que por natureza não convivem, que se relacionem e que serão avaliados por este comportamento.

Os seres humanos, retiradas as jaulas, muitas vezes empreendem em guerras silenciosas e potentes que causam danos enormes, que se assemelham a um gás inerte, matando aos poucos a organização e as pessoas.

É preciso entender que “domesticar as feras” é a preparação dos profissionais para entender os papéis e comportamentos esperados em um ambiente aberto, transparente e colaborativo.

Aprendizagem e mudança de comportamento não se faz com soluções imediatistas, que se envolvem com uma única ação. É preciso levar as pessoas a novas experiências e a refletir sobre estas, de forma a gradativamente incorporarem novos comportamentos e aprendizados.

Somente assim ursos e leões poderão conviver, talvez não totalmente em paz, mas de forma colaborativa e produtiva. Tudo isso em um ambiente saudável e, quem sabe, divertido.


Paulo Amorim