IDEIAS FLEXÍVEIS

Em novo livro, Leonard Mlodinow traz a ideia de pensamento flexível e aponta caminhos para desenvolvê-lo.


“Ao longo de milhares de anos, o mundo mudou devagar e nós pudemos evoluir e nos adaptar a ele. Agora, o mundo ficou de cabeça para baixo rapidamente e ficamos confusos.” Quem aponta o problema é o físico e escritor Leonard Mlodinow, autor dos best-sellers “O andar do bêbado” e “Subliminar”. Mas é também ele quem oferece a solução: “A maior ferramenta para encarar esse desafio é o pensamento elástico”.

Em seu novo livro “Elástico”, repleto de exemplos e de bom humor, Mlodinow traz uma luz a quem quer progredir mas sente-se arrebatado pela velocidade com que as mudanças acontecem. Para ele, precisamos desenvolver o pensamento elástico. Isso significa dar vazão a uma capacidade natural que temos e costumamos travar, de utilizar a mente de forma não linear, gerando novas ideias e novas regras.


“De um lado, temos o pensamento lógico e analítico, com o qual fazemos suposições, premissas e aplicamos as regras de raciocínio. Do outro lado, está o pensamento elástico, através do qual não seguimos as regras, mas as criamos. Criamos novas ideias”.


Assim como em “Subliminar”, o autor utiliza histórias e exemplos envolventes. Os temas preponderantes seguem sendo a neurociência e a psicologia, mas tudo é escrito de forma leve para mostrar de que forma o cérebro produz o pensamento flexível e quais os caminhos para aprimorá-lo.


Uma capacidade já presente


As novas tecnologias, as novas formas de nos relacionarmos, as pesadas transformações na comunicação. Tudo isso molda nossa identidade e influencia diretamente nossos comportamentos e modo de pensar. Mas como tudo acontece rapidamente, não há tempo de nos adaptarmos. Ainda assim, amanhã tudo será passado. Estamos vivendo uma eterna tentativa de alcançar o presente.


Em essência, porém, somos totalmente capazes de fazer essa adaptação no ritmo necessário. Em cinco anos, o comportamento de gatos, pássaros e cachorros seguirá o mesmo. O nosso, não. Como seres humanos, possuímos o intrínseco impulso de criar, inventar novos modos de fazer e inovar. Para Mlodinow, já dispomos, portanto, de algum grau de flexibilidade cognitiva.


“Embora o pensamento elástico não seja um novo talento da espécie humana, as demandas deste momento da nossa história trouxeram essa habilidade do segundo para o primeiro plano e a transformaram em uma aptidão crítica até mesmo para questões rotineiras do âmbito profissional e pessoal. Não se trata mais de uma ferramenta especial daqueles envolvidos na resolução de grandes problemas, inventores e artistas. O talento para o pensamento elástico é um fator importante para o sucesso de qualquer pessoa.”


Artistas geniais como os músicos Miles Davis e David Bowie e a escritora Mary Shelley, – autora de Frankenstein –, tiveram ideias que, de início, pareciam estranhas. Mais tarde, foram consideradas brilhantes. Segundo Mlodinow, isso aconteceu porque foram pessoas capazes de explorar essa habilidade. O resultado? Gravaram seus nomes para sempre na história da humanidade.


Para o autor, somos afastados deste tipo de raciocínio flexível ainda na infância. Isso se deve a dois motivos principais: o amadurecimento do nosso cérebro e o tipo de educação que recebemos na escola. “O sistema educacional, na maioria dos países, é criado para tirá-lo de nós. A escola deveria nos ensinar a aprender, a descobrir, a questionar.”


Como desenvolver


Todos temos uma dose particular de flexibilidade mental. Ela é utilizada quando resolvemos problemas ou em nossos relacionamentos pessoais, por exemplo. Mas da mesma forma que acontece com a flexibilidade muscular, a cognitiva pode se perder caso não seja exercitada.


Sabe a famosa bolha intelectual, da qual muito se tem falado ultimamente? Para o escritor, sair dela é uma das formas de aumentar a elasticidade de nosso pensamento. Pequenos exercícios de diálogo com pessoas fora do nosso círculo social já são o bastante para “malhar” a mente. “Recomendo falar com quem pensa de modo diferente de você”, diz.


Como nosso cérebro é desenhado para aprender e se transformar a partir dessa aprendizagem, somos capazes de fazer mudanças rápidas de foco. Para alterações profundas, isso também é válido, mas o exercício de aprendizagem e mudança precisa ser mais constante. Por isso precisamos provocá-lo.


Quer mais um exercício? Então vá pensando na resposta da charada a seguir. Nos próximos dias faremos a pergunta na página do Facebook do CENEX e aguardaremos a sua resposta.


CHARADA


Um homem está lendo um livro. As luzes se apagam e ele fica totalmente no escuro. Ainda assim, ele continua lendo. Como?


Obs: o livro não está em formato digital


Habilidade do futuro


A flexibilidade cognitiva não é um conceito exclusivo de Mlodinow. Ela já apareceu como uma das habilidades do futuro no relatório “O Futuro do Trabalho”, do Fórum Econômico Mundial.


O documento destaca a importância, para os profissionais, de desenvolver a capacidade de criar ou usar diferentes conjuntos de regras para combinar ou agrupar as coisas de diferentes maneiras. A tendência é de que se fale cada vez mais nesse desenvolvimento que, segundo o relatório, deve ser mais exigido nos setores de bens de consumo, comunicação e tecnologia da informação.