OS RUMOS DO FUTURO

O que o porvir nos reserva enquanto sociedade, empresas e pessoas?


O CENEX marcou presença em três dos mais importantes encontros de Recursos Humanos do Sul do Brasil – ESARH, de 14 a 16 de maio, em Gramado/RS; o CONGREGARH, de 7 a 8 de junho, em Passo Fundo/RS; e o CONCARH, de 5 a 6 de julho, em Florianópolis/SC – e compilou os ensinamentos de quatro palestrantes que tocam no ponto fraco de qualquer liderança: o que o futuro nos reserva?

“Inovação deixou de ser diferencial”

Arthur Igreja, com experiência profissional e acadêmica em mais de 25 países, foi um dos participantes do CONGREGARH 2018. Com o tema “Inovação disruptiva”, ele destacou que as mais importantes inovações estão atreladas à desburocratização e à melhor gestão do tempo das pessoas.

“Os melhores negócios do mundo são aqueles que colocam o usuário no centro da experiência. As inovações estão todos os dias na nossa frente. O ciclo de crescimento das empresas de sucesso está cada vez mais veloz e os profissionais de RH precisam estar atentos às inovações. As equipes, por exemplo, não precisam mais estar no mesmo espaço geográfico. Precisamos, sim, de pessoas motivadas e um ecossistema viável de atuação conjunta”, exemplificou.

Para Igreja, inovar se tornou uma necessidade gerencial básica. “Inovação deixou de ser diferencial. Precisamos inovar em todos os aspectos o tempo inteiro”, salientou.

O palestrante também destacou que as carreiras e a idade produtiva dos profissionais estão em ampla transformação. “Não temos como saber até quando vamos fazer a mesma atividade. Viveremos ciclos de carreira e todos precisam se adaptar e gerar valor. Poupar tempo e energia”.

As sete competências do futuro

A diretora de pessoas e organização da Senior, Jussara Dutra, falou sobre o tema “Relações na era digital” durante o CONCARH 2018. Ela destacou que estamos em uma era que não permite mais atitudes de alienação, isolamento social, exclusão e radicalismo. Ao contrário, o que emerge é o engajamento, a colaboração, a conectividade e a ampliação de visão. “Temos visto grandes mudanças no paradigma da comunicação interpessoal, em meio à cultura digital e à influência da internet nas relações cotidianas, e isso se reflete na forma como é feita a gestão de pessoas. O RH está em transformação e as áreas de Recursos Humanos das empresas precisam acompanhar essa evolução”, afirmou.

Jussara também destacou o peso que o termo “compartilhar” vem ganhando na atualidade. No seu entendimento, ele se incorporou ao dia a dia das pessoas – co-working, co-living, co-learning e co-create – e precisa ser levado em conta pelas organizações. Nesse contexto, a palestrante elencou as sete competências que devem ser a ordem do dia dos profissionais do futuro:

  • 1   Pensamento crítico e solução de problemas
  • 2   Colaboração entre networks e liderança pela influência
  • 3   Agilidade e adaptabilidade
  • 4   Iniciativa e empreendedorismo
  • 5   Comunicação assertiva – oral e escrita
  • 6   Análise de informações
  • 7   Curiosidade e imaginação


Em meio a exemplos de casos que começaram na internet e ganharam destaque na mídia, como os brasileiros que gravaram vídeos desrespeitosos com mulheres russas na Copa do Mundo, ela demonstrou o peso da realidade ao apresentar que alguns envolvidos nessas histórias foram demitidos das empresas em que trabalhavam. Assim, concluiu que o resultado do uso dos meios digitais é uma responsabilidade individual. “Mídias sociais podem ser tudo ou nada, fortalecer ou romper laços. Tudo depende de como pessoas, sociedade e organizações escolhem utilizá-la”.

“A transformação digital é a nova revolução industrial”

Esse foi o tema da fala de Luis Augusto Lobão Mendes, diretor e professor da HSM Educação Executiva, durante o CONCARH 2018. Em uma linha do tempo, ele situou os participantes em relação à revolução tecnológica em que vivemos, partindo de 1784, com a introdução da máquina a vapor e a industrialização, até chegar a 2016, com a diluição das fronteiras entre o digital, o físico e o biológico.

Nesse contexto, Mendes apresentou a chocante notícia de que algoritmos já são utilizados como “membros” no alto escalão no mundo dos negócios, como no caso de grandes fundos de investimento internacionais, que utilizam essa tecnologia para identificar oportunidades de alocação de recursos. Ainda nessa linha, destacou também a utilização do Watson, da IBM, para recomendação de tratamento a pacientes com câncer, e o caso do Tinbot, robô brasileiro que atua como assistente, tradutor ou recepcionista.

Outro tema explorado pelo palestrante foi o conceito VUCA, que já foi apresentado na edição anterior do Elite. Trata-se da sigla em inglês para “volátil, incerto, complexo e ambíguo”, muito utilizada para explicar o momento atual de transformações intensas e absolutamente disruptivas da sociedade. Um exemplo disso, segundo Mendes, é a previsão de que, até 2025, 80% dos empregos serão reconfigurados.

Ao final, concentrou sua apresentação nas organizações exponenciais. Apresentou o modelo 6Ds que compõe esse cenário: digitalização, decepção, disrupção, desmaterialização, desmonetização e democratização, e destacou que, cada vez mais, robôs, realidade virtual, inteligência artificial e big data vão conviver com os seres humanos.

Para concluir, destacou quatro atitudes que são utilizadas por profissionais no mundo exponencial: nunca se torne obsoleto; agradeça as mudanças; seja um disruptor; venda experiências e não produtos ao cliente.

Líderes que unem

Eugênio Mussak, referência em educação corporativa, foi um dos participantes do ESARH 2018. Com o tema “Inspirar pessoas para potencializar o coletivo”, Mussak destacou que vivemos em um momento da história do país e do mundo extremamente marcado pela divisão das pessoas e que essa divisão acaba sendo um pouco irracional porque ninguém escuta o outro lado. “Em princípio, a razão está só com você. Isso é sectarismo, expressão que tem origem na palavra ‘seita’: o que não é de sua seita é errado”, afirmou.

Deslocando essa reflexão para o contexto das empresas, ele enfatizou a importância de se trabalhar no sentido contrário, ou seja, para que as pessoas sejam unidas, e apontou, inclusive, que este é um dos desafios das lideranças da atualidade: como unir as pessoas?

“Nós estamos carentes de líderes que consigam isso. Nosso último grande exemplo nesse sentido foi Nelson Mandela que, ao acabar com o domínio dos brancos sobre os negros não proclamou uma revolta, a opressão, e sim a união, a igualdade. Essa é uma atitude de liderança, potencializar o talento das pessoas pelo bem comum, diminuir as diferenças. É uma discussão interessantíssima. Precisamos urgentemente de mais tolerância, mas qual é a competência das lideranças para isso?”, pontuou.

Seguindo a linha de raciocínio dos outros palestrantes apresentados neste texto, Mussak também situou que vivemos um contexto de volatilidade, em que as certezas de hoje são muito menores. Assim, uma empresa não pode ser gerida do mesmo modo como era quando a realidade se transformava mais lentamente.

“A gestão é uma ciência, estamos falando de técnicas, tecnologia, processos, modelos de negócios e, claro, de pessoas. Antigamente, pessoas se engajavam pelo nome da empresa, hoje são pelos projetos que fazem mais sentido para elas”.